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Estética do Mate: Quando o Xadrez se Torna Arte
Ao folhear um livro sobre problemas de xadrez, aqueles com enunciados de mate em 2 ou em três lances, acabei renovando meu conceito sobre um tema muito utilizado por jogadores para melhorar o cálculo, porém, poucos conhecem a arte de apreciar um bom problema de xadrez.
Há que se diferenciar alguns termos dentro da nomenclatura enxadrística: O exercício, a combinação e o problema. Um Exercício é uma atividade aleatória, com maneiras diferentes de serem resolvidas e não necessariamente um diagrama especifico de xadrez, um exemplo:
Efetue a operação indicando o caminho do bispo.
Abaixo um exercício resolvido a partir da subtração.
Obviamente podemos chamar de exercícios os mates em 1 lance, encontre a melhor maneira de salvar o rei, sudoku de xadrez entre outros.
Definição de Mikhail Botvinnik para as combinações:
“A combinação é uma manobra forçada, combinada com um sacrifício, em resultado da qual o lado ativo ganha uma vantagem objetiva.” Em outras palavras é uma sequencia de lances, seguido de sacrifício ou não, com o objetivo de ganhar material, conquista de posição superior ou levar diretamente ao xeque mate.
Uma das combinações mais conhecidas no xadrez é a da partida conhecida como Evergreen ou a Sempre Viva.
Adolf Anderssen x Jean Dusfrene, Berlim 1852
Brancas jogam e ganham.
Note como a posição do rei branco também é desesperadora. Apesar de material a menos, as brancas tem total controle dos acontecimentos. A partida não chegou até aqui por acaso.
21.Dxd7+!! Rxd7 22.Bf5+ Re8 23.Bd7+ Rf8 24.Bxe7#
O sacrifício da dama é um lance esteticamente belo no xadrez, já que a peça mais poderosa se entrega por um peão, aparentemente, para que as demais peças possam agir com seu potencial máximo. A beleza da combinação está na dificuldade e da harmonia entre as peças.
Para efeito de comparação entre os tipos de combinações, o próximo exemplo ás brancas jogam e ganham material.
Mosakowski x Moller Republica Tcheca, 1993
8.Bxf7+! Rxf7 [ Se 8...Re7 seguiria 9.Bg5+ com vantagem decisiva] 9.Cg5+ Re8 10.Df3! +-
Ameaçando mate em “f7” e a torre em “a8”. As pretas protegem o mate porém perdem material. Neste caso não há como salvar os dois ao mesmo tempo.
Não tem um efeito espetacular, porém não deixar de ser uma combinação.
Já um Estudo não requer uma precisão no número de jogadas, podendo ser de partidas ou até mesmo um problema composto. Geralmente é encontrado na fase final, com poucas peças e a solução requer um aprofundamento tático e estratégico desta fase.
O Problema é uma situação criada onde o autor direciona para um ou vários temas específicos desta vertente. A solução tem necessariamente que ser única e de preferencia inesperada, o que concede beleza ao problema de xadrez. Como padrão, as brancas sempre iniciam, e as pretas devem sempre encontrar a melhor solução para evitar o mate. Fatores como a geometria do tabuleiro, falta de material aumenta ainda mais o grau de dificuldade. Cada peça tem uma função na solução e dentro das variantes, em possíveis respostas do problema.
Autora: Baird Edith Elina Helen W. J. – Mate em 2 lances
Norwich Mercury
Edith Baird foi compositora Britânica, com vários prêmios internacionais, viveu entre 1859 a 1924. Aprendeu xadrez antes dos 10 anos de idade e aos 22 anos começou a sua jornada de criação, colocando na conta mais de 2000 problemas publicados, sendo que 700 deles só na primeira década!
Eis um problema de beleza estética, onde as peças estão colocadas de maneira simétrica, e a variância nas soluções são as mais diversas possíveis. Vejamos:
1.Dh8!
O ponto de exclamação é pela a ideia, colocando pressão em três diferentes sentidos.
1...Dxg7+
Mesmo com a) 1...Txh1 2.Dxh1# já que a dama do preto está cravada.; b) e 1...Txa8 2.Dxa8# a mesma ideia, porém em linha.
O peão de "g6" não está aí atoa, primeiro evita o mate em 1 lance na posição inicial, e segundo, se 1...g5 2.Bxb2# as torres não podem cooperar na defesa direta do rei.
2.Dxg7# Já que as duas torres do preto estão cravadas.
No livro “Introdução ao Problema Ortodoxo” de Caetano Belliboni de 1981, ainda datilografado a máquina de escrever, dois termos me chamaram a atenção em particular: o Mate Econômico Perfeito e o Mate Puro. São definições dadas às características ou também pode se dizer as qualidades de um xeque mate. Para melhor compreensão vamos aos conceitos primeiros:
“Neste mate, todas as peças brancas atuam, menos rei e peões. ” (Não entendi todas, e depois menos).“A posição assinalada é de mate econômico, pois o peão branco em “f5” apoia a torre branca e o peão branco em “e3” apoia o bispo branco em “d4”. O Rei e o peão em “g4” não participam do mate. ”
Autor: B.Harley, 1931
Logo em seguida o Autor exemplifica outro conceito, na qual se supõe ser a melhor desse anterior.
O Termo “Mate Econômico Perfeito: Todas as peças brancas do diagrama atuam no mate, incluindo rei e peões. ”
“Ilustramos aqui apenas a posição na hora do mate, sem a preocupação de completar o problema e tal posição está representada num quadrado central de 3 por 3 casas, com traços reforçados. ”
Autor: C.Belliboni, 1981
O Curioso é o autor do livro usar o próprio exemplo como sendo uma melhora no tema. E por último o termo que realmente interessa na estética das posições.
A definição de “Mate Puro: As casas do campo do rei são guardadas uma vez só por peças brancas ou bloqueadas só por peças pretas. ”
“O Quadrado central de 3 por 3 casas, representa uma posição de mate puro. ”
Autor: B.Harley, 1931
As posições de mate puro, realmente passa ao observado essa sensação de clareza, de uma posição com economia de forças. Algo planejado.
A definição de “Mate Puro: As casas do campo do rei são guardadas uma vez só por peças brancas ou bloqueadas só por peças pretas. ”
“O Quadrado central de 3 por 3 casas, representa uma posição de mate puro. ”
Autor: B.Harley, 1931
As posições de mate puro, realmente passa ao observado essa sensação de clareza, de uma posição com economia de forças. Algo planejado.
Nem todo mate bonito é complexo. E nem toda complexidade produz beleza. Muitas vezes, a verdadeira elegância aparece justamente na simplicidade, na economia e na precisão absoluta das peças.
O excesso de força sobre um rei encurralado pode resolver o problema técnico, mas nem sempre transmite a sensação estética que um mate puro consegue oferecer.
Grandes compositores de problemas enxergavam o tabuleiro como um espaço artístico, onde cada peça possui propósito, cada casa possui significado e cada detalhe contribui para uma construção lógica e estética ao mesmo tempo.
Autor: Sheridan Ribeiro
Outros temas, com 79 miniaturas comentadas - São 160 páginas de partidas de até 20 lances que mostram a evolução do pensamento enxadrístico. Aprendizado progressivo - Do Damiano (1512) aos precursores do xadrez moderno (1900). LIVRO: A HISTÓRIA DAS MINIATURAS
